Associação Médica de Goiás - AMG

Educação
Continuada

Diante da ganância pelo poder, a fé e o amor de quem dá a vida pela Medicina.

Publicado em : 28/10/2013

Autor : Por Dr. José Umberto de Vaz Siqueira

Quando eu estava com 15 anos de idade, comecei a pensar  que queria ser médico. Naquela inocente adolescência de 30 anos atrás, pensava em ter alguma profissão que pudesse ajudar e fazer o bem a outras pessoas. Então vi a Medicina como uma oportunidade de poder socorrer a quem necessitasse.

Com o tempo, pude ver que não é bem assim. Os anos judiam muito da gente e nos fazem ver que não somos nem podemos fazer muita coisa perante as mazelas do mundo. Porém, aquela vontade, aquele desejo inicial de querer ajudar as pessoas, tentar diminuir o sofrimento de alguém, sentir-se bem quando outras pessoas estão bem, isto não mudou. Este sentimento permanece dentro de mim e vejo isto em 99% de meus colegas médicos e médicas.  Seja por meio de um tratamento novo, uma cirurgia, uma técnica compartilhada, uma troca de experiências, seja por qual meio for. Oo que vejo é uma classe inteira preocupada em trabalhar, estudar, ajudar, atender, cumprir seu papel com dedicação e no final do dia ou da noite ter a sensação do dever cumprido.

Nestes 22 anos de formado,  trabalhei a metade deste tempo entre o serviço público e privado. Em ambos vi muitas situações que não consegui resolver, mas no primeiro presenciei inúmeras cenas absurdas que um dia me fizeram não suportar mais e afastar-me. Não fui homem o bastante para ver colegas meus decidindo entre duas crianças qual estava em situação pior para ser internada e a outra ficar em uma maca no corredor, porque só havia um leito vago, ou voltar para casa com os pais desesperados, sem ter o que fazer. Vi colegas tendo que decidir qual paciente estava menos grave para ir para um aparelho respirador porque todos os outros aparelhos estavam ocupados e o outro paciente tinha mais chance de morrer. Vi cirurgias serem canceladas por falta de fios de sutura, luvas estéreis, roupas cirúrgicas, etc.

Eu já tive que decidir entre duas fraturas expostas qual iria para o centro cirúrgico, porque só havia material para uma cirurgia. O outro paciente, com certeza, iria ficar, como ficou, sequelado para o resto da vida. Vi pacientes morrendo por falta de medicamentos os mais básicos possíveis e vi em praticamente todos os casos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, técnicos, auxiliares, trabalhando dia e noite sem parar, para tentar salvar homens, mulheres e crianças e no final de determinados casos uma equipe inteira abraçada e chorando de emoção por uma vida salva quando tudo fazia crer que já estava perdida. Ou então, todos se lamentando desgraçadamente por não ter conseguido fazer com que o paciente sobrevivesse.

Depois disto tudo, quando pensava já haver visto de tudo na minha profissão, me foi revelado agora por nossos atuais governantes que nós somos os bandidos da história. O culpado por tudo de ruim que já ocorreu na saúde no Brasil é a classe médica. Segundo voz corrente no governo brasileiro, somos mercenários, desinteressados, negligentes, não trabalhamos, não gostamos de ir onde o povo está, não vamos onde a doença está, só gostamos de cidade grande e ar condicionado.

Ora, faça-me um favor Dona Dilma e assessores, tenham mais respeito pelos médicos. Nestes 10 anos que seu grupo está no poder o que vocês fizeram pela saúde no Brasil? E antes de vocês havia outro grupo e antes destes, outros e outros, quase todos da mesma estirpe. Não venham agora jogar a culpa em nós trabalhadores. Quantos pacientes vocês já não mataram pelas nossas mãos? Quantos tratamentos vocês não tiraram da população, principalmente dos mais pobres, desviando dinheiro para outros fins?

Tenho vergonha de brasileiros como vocês, ou melhor, tenho nojo da maioria da sua classe e parafraseando um da sua turma, "hoje você é que manda, falou, tá falado". MAS tem discussão. Isto não vai ficar assim. Vocês não vão conseguir impedir  a classe médica de trabalhar. O ódio de vocês e a ganância de poder não vai ser suficiente para derrubar quem trabalha com amor no coração e dá a vida pela profissão, seja ela bem remunerada ou não.

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