Associação Médica de Goiás - AMG

Educação
Continuada

Para onde vai nossos crescentes tributos?

Publicado em : 21/10/2013

Autor : Por Dr. Rui Gilberto Ferreira

 


Insatisfação. No dicionário, significa falta de contentamento. Mas levada à realidade, a palavra traduz o que nós, médicos e toda a população brasileira, sentimentos perante a saúde pública no Brasil. Segundo o levantamento do Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais de 70% dos brasileiros consideram o Sistema Único de Saúde (SUS) como regular, ruim ou muito ruim. Apenas 28,9% dos entrevistados consideram os serviços prestados bons ou muito bons.
Longas filas, dificuldade em marcar consulta com especialistas e casos de atendimento ruim no SUS são os principais motivos que levam os brasileiros a buscarem a rede privada. Segundo o Ipea, 40% que usam ou já usaram planos de saúde acham que o principal motivo para contratar o serviço é ter mais rapidez para fazer uma consulta ou exame.
De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), o índice de insatisfação com a qualidade e o atendimento à saúde é maior no Brasil (46%) do que na América Latina, que em média gira em torno de 43%. O Brasil ficou na 108ª posição em satisfação com seu sistema de saúde, em comparação com 126 países de todo o mundo, analisados pelo Relatório de Desenvolvimento Humano 2013. O índice de aprovação brasileiro também é menor do que a média mundial, de 61%.
Países como Uruguai (77% de aprovação), Venezuela (75%), México (69%) e Bolívia (59%) consideraram os próprios serviços de saúde melhores do que a população brasileira. O Brasil perde em satisfação com a saúde também para países como Afeganistão (46% de aprovação), Serra Leoa (46%), Camarões (54%) e Senegal (57%). O líder do ranking é Luxemburgo, pequeno país europeu em que 90% da população disse aprovar os próprios serviços de saúde.
Uma pesquisa realizada prlo Ibope constatou que 61% dos brasileiros consideram a saúde como a área mais problemática do país, à frente da segurança e da educação. Além disso, segundo a pesquisa, o Brasil gasta cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) na saúde, o que representa um gasto per capita de 909 dólares. Esse valor é menor que os 3 mil dólares que as nações listadas como as melhores do mundo na área gastam.
O Canadá, um dos países da lista, gasta cerca de 8% do PIB em saúde e a despesa per capita é de 4,3 mil dólares. Embora pagos pelo governo, os médicos não são funcionários públicos. A maioria dos atendimentos financiados pelo sistema é oferecida na iniciativa privada, o que gera a não competição entre o sistema público e privado. Nosso país está ficando para trás e estamos longe de conquistar o mínimo da qualidade exigida para um bom atendimento e melhoria de vida de toda a população. Mas, por quê?
Dados da Receita Federal afirmam que a carga tributária bruta do Brasil subiu para 35,31% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, atingindo R$ 1,463 trilhão. É o maior patamar da série histórica desde 2002 e, em 2010, a carga tributária bruta havia ficado em 33,53%. No começo dos anos 90, a carga tributária era de 24% do PIB. Para onde vai os altíssimos impostos pagos pelos brasileiros aos cofres públicos? São tributos e mais tributos que assustadoramente resultam em uma saúde degradante, educação e segurança fragilizadas e poucos incentivos aos campos culturais e esportivos. Algumas hipóteses nos passam pela cabeça.
Segundo estudo feito pelo coordenador da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Fernandes, a perda de produtividade provocada por fraudes públicas no Brasil atinge a casa de 3,5 bilhões de dólares por ano. O prejuízo foi calculado com base em dados do Banco Mundial (Bird) sobre educação e investimentos de 109 países, além de índices de percepção de corrupção da organização não-governamental Transparência Internacional. São praticamente 7 bilhões de reais que poderiam ser investidos na saúde pública brasileira, em equipamentos, tecnologias, profissionalização e qualidade dos profissionais. Enquanto vivermos esta realidade, estaremos atrasados perante o mundo, e infiltrados em um buraco profundo que só nos levará ao subdesenvolvimento precário.
Prioridade significa investir. Gestor que não investe, não prioriza. Ogoverno brasileiro seguramente não prioriza a saúde.

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