Associação Médica de Goiás - AMG

Educação
Continuada

Porque os médicos devem se manifestar politicamente

Publicado em : 11/06/2014

Autor : Por Dr. Rui Gilberto Ferreira

O Governo brasileiro tem chicoteado a categoria médica nos últimos anos, tentando sempre nos imputar o ônus do caos instalado na saúde pública deste país. Em resposta, a classe médica tem lutado intensamente por seus ideais e levado à população o que ela merece, que é uma assistência na saúde de qualidade.

 

O Governo Federal por inaptidão ou negligência não conseguiu resolver a questão do financiamento, da má gestão e da corrupção na saúde. Tem impedido a aprovação no Congresso Nacional da maioria dos projetos de interesse da saúde pública e da nossa categoria. E ainda tem comprometido a pesquisa e a qualidade do ensino médico.

 

De acordo com informações do Conselho Federal de Medicina (CFM), do início dos anos 2000 até 2014, a quantidade de faculdades de Medicina no país dobrou. Atualmente, o país possui mais de 220 escolas, número superior à China (150) e Estados Unidos (149), países com população maior que a brasileira. No Brasil, esse crescimento se deve às faculdades particulares, que já são 60% do total.

 

A cada ano, são formados no Brasil, mais de 19 mil médicos. O Governo Federal, de forma equivocada, insiste na premissa que quanto maior o número de vagas para o curso de Medicina, mais médicos formados e maior a assistência para a população. Uma “desculpa” que tenta, mas não consegue, tampar um buraco fundo consequente da falta de compromisso e investimento público.

 

De acordo com dados da OMS, das despesas com saúde, 54% foram financiadas por gastos privados, enquanto que o governo financiou 46%. A média é inferior do que países como a Noruega (86%), Luxemburgo (84%), Grã-Bretanha (83%) e Japão (80%), além de Turquia (75%), Colômbia (74%) e o Uruguai (68%). Dos R$ 47,3 bilhões gastos com investimentos pelo Governo Federal em 2013, o Ministério da Saúde foi responsável por apenas 8,2% dessa quantia, segundo levantamento do CFM. O investimento em saúde nos países africanos é de 10,6% e a média mundial é de 11,7%.

 

É extremamente injusto a União repassar para a saúde pública brasileira menos de 10% de sua receita. É preciso colocar em prática os critérios defendidos pela Saúde + 10, Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública que tem como objetivo a coleta de assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que assegure o repasse efetivo e integral de 10% das receitas correntes brutas da União para a saúde pública brasileira, alterando, dessa forma, a Lei Complementar no 141, de 13 de janeiro de 2012.

 

Como se não bastasse a falta de incentivo, enfrentamos um grave problema no nosso país, chamado corrupção. Em cinco anos, cerca de R$ 502 milhões de recursos públicos do SUS foram aplicados irregularmente por prefeituras, governos e instituições públicas e particulares. Esse meio bilhão, cobrado pelo Ministério Público, no final de 2013, refere-se a irregularidades identificadas em 1.339 auditorias feitas de 2008 a 2012 por equipes do Denasus (Departamento Nacional de Auditorias do SUS) e analisadas pela Folha de S. Paulo. Só com esse valor, por exemplo, poderiam ser construídos 227 novas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) ou, ainda, 1228 novas UBS (Unidades Básicas de Saúde).

 

A insatisfação está espalhada por todos os lados. O Sistema de Saúde Complementar está insatisfeito, prestadoras de serviços e operadores de saúde descontentes com o repasse do governo. E principalmente, a população e a classe médica não suportam mais os absurdos enfrentados dia a dia em hospitais e outras unidades de assistência à saúde no país. Estamos vivendo um momento muito delicado da vida política brasileira. São muito fortes os indícios de que estamos presenciando o final de um período político.

 

A categoria médica, entendendo que não poderá se omitir neste momento histórico em que vive a população brasileira, embora respeitando o princípio de liberdade de todos, vem assumir, claramente, uma posição de participação ativa na política deste país. A posição das nossas Entidades Médicas é de oposição frontal ao projeto de reeleição da Presidente Dilma e de alinhamento com as forças políticas nacionais que se opõem a tudo isso.

 

Que sejamos sempre reflexivos, compreensivos e críticos. Abramos nossos espíritos à participação política para não sermos indignos com as futuras gerações. Lembremos que existem três coisas que não voltam: a lança atirada, a palavra preferida e a oportunidade perdida. Sejamos precurssores de oportunidades.

 

Artigos

A verdadeira prevenção

19/03/2018
No discurso de abertura do 1.º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Saúde Pública, no Rio de ...

A assistência ao doente mental no rumo certo

27/02/2018
22 de dezembro de 2017: um marco na história da assistência psiquiátrica no Brasil. Neste dia, o Ministério da ...

Pátria amada Brasil!

Por Pedro Honorato Pinheiro, ginecologista-obsteta 25/04/2017
O Brasil não está tão triste pelo que está acontecendo agora. O triste é ver que depois de 517 anos ainda ...

Muito mais do que promessas

Por José Hiran da Silva Gallo - Diretor do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Doutor em Bioética 21/03/2017
Infelizmente, vivemos num mundo onde sonho e realidade nem sempre convivem de forma harmônica. Todos gostariam que a desigualdade social ...

Autonomia da mulher na hora do parto

22/02/2017 Por José Hiran da Silva Gallo - Diretor Tesoureiro do Conselho Federal de Medicina
O princípio da autonomia é um dos pilares da Bioética contemporânea. Sua relevância atual é ...

Reflexões sobre o sistema penitenciário brasileiro

Por José Hiran da Silva Gallo - Diretor do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Doutor em Bioética 14/02/2017
A tragédia que atingiu recentemente vários presídios brasileiros, onde centenas de homens foram mortos numa guerra de ...

Medicina do futuro

Por Waldemar Naves do Amaral, Prof. do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFG eTenente Coronel Médico da Polícia Mi 01/02/2017
A Medicina do Futuro está embasada em duas condições bem claras: 1º mudança do olhar populacional ...

Zika –mito ou realidade?

Por Waldemar Naves do Amaral, ginecologista-obstetra e professor da Faculdade de Medicina da UFG 10/03/2016
A evidência na medicina e na saúde têm uma conotação direta com a ciência, que é a verdade ...

A situação de transplantes em Goiás

Por Dr. Luciano Leão Bernardino da Costa - Gerente da Central de Transplantes da Secretaria de Saúde do Estado de Goiás 15/09/2015
A história dos transplantes em nosso estado tem seu início no então Hospital Geral do INAMPS, onde se realizou o primeiro ...

Informativo sobre a permuta dos imóveis de propriedade da AMG por unidades autônomas no Órion Business & Health Complex

18/03/2015
Por decisão unânime tomada pelos membros da Diretoria da Associação Médica de Goiás, cuja ...

CAIS: até quando fugir do problema?

Por Dr. José Umberto Vaz de Siqueira, presidente da Associação Médica de Goiás 15/12/2014
Acordamos, nos últimos dias, com os jornais da capital estampando em suas principais páginas manchetes sobre o fechamento de ...

Urnas eleitorais são nossa esperança por uma saúde justa e digna

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 04/02/2014
O ano de 2014 carregará, em seus meses, grandes acontecimentos em nosso país. Receberemos, em território brasileiro, a maior ...

SUS é desfalcado por desperdícios, insuficiência de recursos financeiros e péssimas condições de trabalho do médico

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 02/12/2013
Cerca de 70% dos discentes da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás NÃO pretendem trabalhar na ...

Diante da ganância pelo poder, a fé e o amor de quem dá a vida pela Medicina.

Por Dr. José Umberto de Vaz Siqueira 28/10/2013
Quando eu estava com 15 anos de idade, comecei a pensar  que queria ser médico. Naquela inocente adolescência de 30 anos ...

18 de outubro, Dia do Médico.

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
"Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as ...

Contra a desmoralização do sistema de saúde brasileiro.

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
Em recente pronunciamento do ministro das Relaçãos Exteriores, Antônio Patriota, ficou constatado o interesse do governo ...

Das capitais para o interior.

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
  Na última década, o número de médicos brasileiros cresceu 21,3%, índice superior ao aumento da ...

Diagnósticos equivocados de Dilma Rousseff.

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
Se a saúde pública brasileira fosse paciente da presidente Dilma Rousseff, certamente estaria em estado terminal. São ...

Falta investimento do Governo à saúde.

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
Classe médica defende o Saúde + 10, movimento nacional que busca a coleta de assinaturas para um Projeto de Lei de iniciativa ...

Para onde vai nossos crescentes tributos?

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
  Insatisfação. No dicionário, significa falta de contentamento. Mas levada à realidade, a palavra traduz o ...

Pelo direito à vida.

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
O aborto é a expulsão de um embrião ou de um feto antes do final do seu desenvolvimento e viabilidade em ...

Plano de Carreira para médicos é fortaleza para o Sistema Único de Saúde.

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
  No dia 10 de setembro, o deputado Eleuses Paiva (DEM/SP), relator na Comissão Especial destinada a proferir parecer sobre a ...

Quem não deseja o reconhecimento?

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
  “Para exercer a Medicina com honra e dignidade, o médico necessita ter boas condições de trabalho e ser ...

Quer engravidar? Não conte com o Governo.

Por Dr. Rui Gilberto Ferreira 21/10/2013
  Segundo a Organização Mundial da Saúde, a infertilidade afeta de 8% a 15% da população brasileira. ...
voltar
Associação Médica de Goiás - AMG