Avaliação da depressão em crianças e adolescentes assistidos no centro de apoio psicossocial da infância e da adolescência de Anápolis-GO
Palavras-chave:
DEPRESSÃO, INFÂNCIA, PSICOPATOLOGIAResumo
Introdução: Até pouco tempo pensava-se que a depressão infantil não existia ou que aparecia em uma forma mascarada. Foi a partir da década de 70 que houve aumento do interesse no campo da investigação e no meio acadêmico, reconhecendo-se a presença significativa desse distúrbio entre crianças e adolescentes, obtendo muitos avanços alcançados para a compreensão e tratamento deste problema. O DSM IV considera a depressão infantil semelhante à depressão no adulto. No entanto, ressalva-se que uma criança deprimida pode apresentar humor irritável ao invés de tristeza; ou ainda revelar uma queda no rendimento acadêmico, além de perda da auto-estima e a sensação de inutilidade. A criança com quadro de depressão não tratada a tempo poderá desenvolver padrões de comportamento que se tornam resistentes a mudanças, sendo um quadro de certa gravidade ou ideação suicida. Objetivos: Este trabalho objetivou conhecer e caracterizar a incidência e prevalência de depressão infantil no Centro de Apoio Psicossocial Infantil (CAPSi) de Anápolis-GO. Métodos: Desse modo, busca traçar a tendência temporal da incidência de depressão em crianças e adolescentes no CAPSi desde a entrada de cada prontuário. Foi utilizada pesquisa observacional-descritiva, de caráter epidemiológico, onde as informações avaliadas foram coletadas a partir de prontuários permitindo uma avaliação retrospectiva do histórico dos pacientes. Resultados/ Discussão: A partir da análise dos dados verificou-se que o diagnóstico de episódio depressivo é mais frequente na adolescência do que na infância, o gênero feminino foi discretamente mais frequente com episódio depressivo. A maioria dos pacientes não apresentava comorbidades clínicas, contudo as enfermidades de maior prevalência foram cefaleia e migrânea. As principais comorbidades psiquiátricas foram Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade e Transtorno de Ansiedade Generalizada. Os resultados sobre a relação da automutilação e do sexo foram diferentes dos estudos analisados, cuja predominância se deu maior para o sexo masculino do que feminino. A maioria dos casos de tentativas de suicídio ocorreram com pacientes acima de 14 anos, sendo que 21% sofreram bullying, 33,3% dos pacientes que sofreram violência física, 40% dos pacientes que sofreram abuso verbal e 50% dos que sofreram violência sexual. Conclusão: É evidente que estudos de depressão nessa faixa etária são escassos no Brasil e no mundo, além disso, a saúde mental de crianças e adolescentes no Brasil tornou-se questão de saúde pública recentemente. Nesse sentido, a compreensão dos dados epidemiológicos dessa morbidade permite o aperfeiçoamento da qualidade da atenção assistida pelo CAPSi.
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