Dissecção de aorta com diagnóstico tardio (14 dias)

desafios anestésicos – relato de caso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.63162/v67n69e26637

Palavras-chave:

Dissecção da aorta, Anestesia, Tamponamento cardíaco, Coagulação sanguínea, Choque séptico

Resumo

Introdução: A dissecção aguda da aorta tipo A (DAA-A) é uma emergência cardiovascular de elevada letalidade, cuja mortalidade pode ultrapassar 50% nas primeiras 24 horas sem tratamento. O diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico, mas apresentações clínicas atípicas frequentemente retardam a suspeita e a confirmação. Relato de caso: Paciente masculino, 80 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica, hipotireoidismo, dislipidemia, hepatite C crônica e epilepsia, foi admitido inicialmente em hospital regional com sintomas inespecíficos de náuseas, vômitos e dor abdominal. Durante a internação evoluiu com convulsões e broncoaspiração, recebendo antibioticoterapia empírica. Após 14 dias do início dos sintomas, angiotomografia evidenciou flap em aorta ascendente, compatível com dissecção tipo A, sendo transferido a centro de referência. Submetido a correção cirúrgica, sob anestesia venosa total alvo-controlada, com monitorização multimodal e reposição maciça de hemocomponentes devido à coagulopatia associada. Evoluiu inicialmente estável, com extubação precoce e desmame progressivo de aminas. No sexto dia pós-operatório, apresentou choque séptico por Pseudomonas aeruginosa, com falência orgânica progressiva e óbito. Discussão: A apresentação atípica da DAA-A, com manifestações gastrointestinais e neurológicas, retardou o diagnóstico. A sobrevida além de sete dias sem intervenção é incomum e provavelmente relacionada à formação de coágulo que tamponou a falsa luz. O manejo anestésico exigiu indução lenta e titulada, manutenção estável com TIVA-TCI, uso criterioso de vasopressores e correção intensiva da coagulopatia, refletindo a complexidade destes casos. Apesar da correção cirúrgica bem-sucedida, o desfecho foi desfavorável devido a complicação infecciosa tardia, corroborando a alta morbimortalidade descrita na literatura em pacientes idosos com tempo prolongado de circulação extracorpórea. Conclusão: Este relato reforça a importância da suspeição clínica precoce em quadros atípicos, do papel fundamental do anestesiologista no manejo hemodinâmico e hemostático, e da necessidade de estratégias individualizadas para otimizar a sobrevida em dissecções de aorta com diagnóstico tardio.

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Publicado

15-01-2026

Edição

Seção

Relato de Caso

Como Citar

1.
Borges Lopes E, Mendes Faria F, Silva Oliveira M, Peixoto Nascimento G, Beraldo Vieira C, Siqueira Elmiro G, et al. Dissecção de aorta com diagnóstico tardio (14 dias): desafios anestésicos – relato de caso. Rev Goiana Med [Internet]. 15º de janeiro de 2026 [citado 31º de janeiro de 2026];67(69):e26637. Disponível em: https://www.amg.org.br/osj/index.php/RGM/article/view/637