Perfil de resistência antimicrobiana do streptococcus agalactiae em parturientes atendidas em hospital público de Goiânia

implicações para a profilaxia intraparto

Autores

DOI:

https://doi.org/10.63162/v67n69e25634

Palavras-chave:

Estreptocccus do grupo B, Suscetibilidade antimicrobiana, Colonização materna, Profilaxia pós exposição, Beta-lactâmicos

Resumo

O estudo teve como objetivo avaliar a prevalência de colonização por Streptococcus agalactiae em parturientes atendidas em um hospital público de referência em Goiânia (GO) e caracterizar o perfil de resistência antimicrobiana das cepas isoladas, com ênfase nas implicações para a profilaxia intraparto. Trata-se de um estudo transversal realizado com 206 gestantes entre 35 e 37 semanas, admitidas no Hospital e Maternidade Dona Íris. A identificação do S. agalactiae foi realizada por cultura em meio Todd-Hewitt e confirmada por ágar cromogênico e qPCR. O perfil de suscetibilidade foi determinado conforme o protocolo BrCAST/EUCAST (2024), por meio de disco-difusão em ágar Mueller-Hinton suplementado com sangue de cavalo e β-NAD. A prevalência de colonização materna foi de 25,7% pela qPCR e 20,4% pela cultura, com predomínio do sítio vaginal (41,8%) e da colonização simultânea vaginal e anal (25,4%). Observou-se alta sensibilidade aos β-lactâmicos — penicilina (85,5%), ampicilina (92,8%) e ceftriaxona (96,4%) — e elevada resistência à clindamicina (83,6%), eritromicina (54,6%) e tetraciclina (70,9%). Nenhuma variável sociodemográfica ou obstétrica apresentou associação significativa com a colonização. Ao final, pode-se concluir que os β-lactâmicos permanecem como primeira escolha para a profilaxia intraparto, enquanto a resistência expressiva a macrolídeos e lincosamidas demanda antibiograma individualizado em gestantes alérgicas à penicilina. A incorporação de métodos moleculares rápidos, como a qPCR, associada à cultura convencional, pode fortalecer o rastreamento e aprimorar as estratégias de prevenção baseadas em evidências.

Referências

Larsen JW, Sever JL. Group B Streptococcus and pregnancy: a review. Am J Obstet Gynecol. 2008 Apr;198(4):440–50.

Marconi C, Rocchetti TT, Rall VL, Carvalho LR, Borges VT, Silva MG. Detection of Streptococcus agalactiae colonization in pregnant women by using combined swab cultures: cross-sectional prevalen ce study. Sao Paulo Med J. 2010;128(2):60-2.

Yadeta TA, Worku A, Egata G, Seyoum B, Marami D, Berhane Y. Vertical transmission of group B Streptococcus and associated factors among pregnant women: a cross-sectional study, Eastern Ethiopia . Infect Drug Resist. 2018 Mar 13;11:397-404.

Schrag S, Phil Rachel Gorwitz D, Fultz-Butts K, Anne Schuchat M. Prevention of Perinatal Group B Streptococcal Disease. CDC. August 2002;51(RR11):1-22.

Benchetrit LC, Fracalanzza SE, Peregrino H, Camelo AA, Sanches LA. Carriage of Streptococcus agalactiae in women and neonates and distribution of serological types: a study in Brazil. J Clin Mi crobiol. 1982 May;15(5):787-90.

Pogere A, Zoccoli CM, Tobouti NR, Freitas PF, d’Acampora AJ, Zunino JN. Prevalência da colonização pelo estreptococo do grupo B em gestantes atendidas em ambulatório de pré-natal. Rev. Bras. Gin ecol. Obstet. Abr 2005;27(4):174-80.

El Beitune P, Duarte G, Maffei CML, Quintana SM, De Sá Rosa E Silva ACJ, Nogueira AA. Group B Streptococcus carriers among HIV-1 infected pregnant women: Prevalence and risk factors. European Journal of Obstetrics and Gynecology and Reproductive Biology. 2006;128(1–2):54–8.

Simoes JA, Alves VM, Fracalanzza SE, de Camargo RP, Mathias L, Milanez HM, Brolazo EM. Phenotypical characteristics of group B streptococcus in parturients. Braz J Infect Dis. 2007 Apr;11(2) :261-6.

Lima Dos Reis Costa A, Filho FL, Bethânia Da Costa Chein M, Maria Oliveira Brito L, Lamy ZC, Lima Andrade K. Prevalência de colonização por estreptococos do grupo B em gestantes atendidas em maternidade pública da região Nordeste do Brasil. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. Jun 2008; 30(6):l.

Nomura ML, Passini Júnior R, Oliveira UM, Calil R. Colonização materna e neonatal por estreptococo do grupo B em situações de ruptura pré-termo de membranas e no trabalho de parto prematuro [Group B streptococcus maternal and neonatal colonization in preterm rupture of membranes and preterm labor]. Rev Bras Ginec ol Obstet. 2009 Aug;31(8):397-403.

Fedozzi MM, Almeida JFM de. Incidência de Streptococcus β-Hemolítico em Gestantes do Município de Campinas, São Paulo. Rev.bras. anal. clin. 2022;53(3): 264-270.

Pires, TS. Colonização pelo streptococcus do grupo b: prevalência, fatores de risco, características fenotípicas e genotípicas, em mulheres no terceiro trimestre de gestação, atendidas por serviço de referência materno infantil de Goiânia-Goiás [Dissertação de Mestrado]. [Goiânia]: Universidade Federal de Goiás. [Internet]. 2009 [cited 2025 Jan 18]. Available from: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/59/o/TelmaSousaPires2009.pdf

Gizachew M, Tiruneh M, Moges F, Adefris M, Tigabu Z, Tessema B. Proportion of Streptococcus agalactiae vertical transmission and associated risk factors among Ethiopian mother-newborn dyads, N orthwest Ethiopia. Sci Rep. 2020 Dec 1;10(1).

Brasil. Atenção básica: cadernos de atenção ao pré-natal de baixo risco. 1ª ed. rev. [Internet]. 2012 [cited 2025 Jan 18]. Available from: http://www.saude.gov.br/dab.

Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica n.º 32: Atenção ao pré-natal de baixo risco [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2012 [cited 2025 Jan 18]. Available from:https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf.

Carvalho AG, Rodrigues RS, Rodrigues MD, Oliveira LP de, Belém MGL, Ricarte MJVG, Dorneles NWS, Rocha PRDA, Lima NCS, Lima CM, Watanabe M, Pinto TCA, Taborda RLM, Matos NB. Prevalência e perfil de suscetibilidade da colonização por Streptococcus do grupo B em gestantes da Amazônia Brasileira. Rev. bras. saúde mater. Infant. 2024;24:e20230063

Lu J, Guevara MA, Francis JD, Spicer SK, Moore RE, Chambers SA, Craft KM, Manning SD, Townsend SD, Gaddy JA. Analysis of Susceptibility to the Antimicrobial and Anti-Biofilm Activity of Human Milk Lactoferrin in Clinical Strains of Streptococcus agalactiae With Diverse Capsular and Sequence Types. Front Cell Infect Microbio l. 2021 Sep 20;11:740872.

Mukesi M, Iweriebor BC, Obi LC, Nwodo UU, Moyo SR, Okoh AI. The activity of commercial antimicrobials, and essential oils and ethanolic extracts of Olea europaea on Streptococcus agalactiae isolated from pregnant women. BMC Complement Altern Med. 2019 Jan 30;19(1).

Dadi BR, Sime M, Seid M, Tadesse D, Siraj M, Alelign D, Solomon Z. Vertical Transmission, Risk Factors, and Antimicrobial Resistance Patterns of Group B Streptococcus among Mothers and Their Neonates in Southern Ethiopia. Can J Infect Dis Med Microbiol. 2022 Jul 11;2022:8163396.

Ha MT, Tran-Thi-Bich H, Bui-Thi-Kim T, Nguyen-Thi ML, Vu-Tri T, Ho-Huynh TD, Nguyen TA. Comparison of qPCR and chromogenic culture methods for rapid detection of group B streptococcus colonization in Vietnamese pregnant women. Pract Lab Med. 2024 Oct 15;42:e00435.

Costa, KM. Detecção de streptococcus agalactiae em gestantes utilizando a metodologia de PCR em tempo real. 23.o Encontro Anual de Iniciação Científica - UEL - Londrina – PR. 2014 [cited 25 Jan 2025]. Available from: https://www.uel.br/eventos/eaic/eaic2014/portal/ media/ensalamento.htm

Ferreira MB, de-Paris F, Paiva RM, Nunes L de S. Assessment of conventional PCR and real-time PCR compared to the gold standard method for screening Streptococcus agalactiae in pregnant women . Brazilian Journal of Infectious Diseases. 2018 Nov 1;22(6):44 9–54.

Bogiel T, Ziółkowski S, Domian A, Dobrzyńska Z. An Application of Real-Time PCR and CDC Protocol May Significantly Reduce the Incidence of Streptococcus agalactiae Infections among Neonates . Pathogens. 2022 Sep 1;11(9).

Nguyen VL, Dao HN, Le VTH, Nguyen AV, Ha VTT, Nguyen QTN, Do HT, Son NT, Anh DN. Prevalence, risk factors, and serotypes of group B Streptococcus rectovaginal colonization among pregnant women: a cross-sectional study at three hospitals in Hanoi, Vietnam. Ther Adv Infect Dis. 2025 Aug 17;12:20499361251365028.

Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Antibiotic resistance threats in the United States. Stacks Digital Repository [Internet]. 2019. Available from https://stacks.cdc.gov/view/cdc/8 2532

da Rocha JZ, Feltraco J, Radin V, Gonçalves CV, da Silva PEA, von Groll A. Streptococcus agalactiae colonization and screening approach in high-risk pregnant women in southern Brazil. J Infect De v Ctries. 2020 Apr 30;14(4):332–40.

Filkins L, Hauser JR, Robinson-Dunn B, Tibbetts R, Boyanton BL, Revell P. American Society for Microbiology Provides 2020 Guidelines for Detection and Identification of Group B Streptococcus . J Clin Microbiol. 2020 Dec 17;59(1):e01230-20.

Kamińska D, Ratajczak M, Nowak-Malczewska DM, Karolak JA, Kwaśniewski M, Szumala-Kakol A, Dlugaszewska J, Gajecka M. Macrolide and lincosamide resistance of Streptococcus agalactiae in pregnant women in Poland. Sci Rep. 2024;14:3877.

Dutra VG, Alves VM, Olendzki AN, Dias CA, de Bastos AF, Santos GO, de Amorin EL, Sousa MÂ, Santos R, Ribeiro PC, Fontes CF, An-drey M, Magalhães K, Araujo AA, Paffadore LF, Marconi C, Murta EF, Fernandes PC Jr, Raddi MS, Marinho PS, Bornia RB, Palmeiro JK, Dalla-Costa LM, Pinto TC, Botelho AC, Teixeira LM, Fracalanzza SE. Streptococcus agalactiae in Brazil: serotype distribution, virulencedeterminants and antimicrobial susceptibility. BMC Infect Dis. 2014 Jun 12;14:323.

Ramos NFL. Caracterização molecular de Streptococcus agalactiae grupo B (SGB) isolados de gestantes no Rio de Janeiro [dissertation]. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Controle de Qualid ade em Saúde, INCQS/Fiocruz; 2022.

Fitoussi F, Doit C, Geslin P, Brahimi N, Bingen E. Mechanisms of macrolide resistance in clinical pneumococcal isolates in France. Antimicrob Agents Chemother. 2001;45(2):636–8.

Santana FAF, de Oliveira TVL, Filho MBS, da Silva LSC, de Brito BB, de Melo FF, Souza CL, Marques LM, Oliveira MV. Streptococcus agalactiae: Identification methods, antimicrobial susceptibility, and resistance genes in pregnant women. World J Clin Cases. 2020 Sep 26;8(18):3988-3998.

Bekele H, Debella A, Getachew T, Balis B, Tamiru D, Eyeberu A, Tiruye G, Kure MA, Habte S, Eshetu B, Regassa LD, Mesfin S, Alemu A, Dessie Y, Shiferaw K. Prevalence of Group B Streptococcus Recto-Vaginal Colonization, Vertical Transmission, and Antibiotic Susceptibility Among Pregnant Women in Ethiopia: A Systematic Review and Meta-Analysis. Front Public Health. 2022 May 16;10:851434.

Poyart C, Pellegrini E, Marceau M, Baptista M, Jaubert F, Lamy MC, Trieu-Cuot P. Attenuated virulence of Streptococcus agalactiae deficient in D-alanyl-lipoteichoic acid is due to an increased susceptibility to defensins and phagocytic cells. Mol Microbiol. 2003 Sep;49(6):1615-25.

Betriu C, Culebras E, Rodríguez-Avial I, Gómez M, Sánchez BA, Picazo JJ. In Vitro Activities of Tigecycline against Erythromycin-Resistant Streptococcus pyogenes and Streptococcus agalactiae: Mechanisms of Macrolide and Tetracycline Resistance. Antimicrob Agents Chemother. 2004 Jan;48(1):323–5.

Farley MM. Group B streptococcal disease in nonpregnant adu lts. Clin Infect Dis. 2001 Aug 15;33(4):556-61.

Publicado

03-12-2025

Edição

Seção

Artigos Originais

Como Citar

1.
Naves Amaral W, Sousa Pires T, Lamaro Cardoso J, Moreira Garcia WJ, Sousa Rodrigues B. Perfil de resistência antimicrobiana do streptococcus agalactiae em parturientes atendidas em hospital público de Goiânia: implicações para a profilaxia intraparto. Rev Goiana Med [Internet]. 3º de dezembro de 2025 [citado 31º de janeiro de 2026];67(69):e25634. Disponível em: https://www.amg.org.br/osj/index.php/RGM/article/view/634